- Lontras na Ribeira do Vascão

A Ribeira do Vascão é rica em fauna, desde répteis e anfíbios, passando por diversas aves migratórias. Segundo algumas fontes que pesquisei, salienta-se ainda a ocorrência generalizada da lontra que, tratando-se de uma espécie em vias de extinção, será uma ocasião rara avistar-se um exemplar naquelas bandas...
Há uns dias recebi um email de um admirador das paisagens do interior algarvio e alentejano, João Paulo Galacho, que, num passeio de bicicleta, teve o privilégio de ver uma lontra na Ribeira do Vascão e de lhe tirar algumas fotos. Ao pesquisar sobre a Ribeira do Vascão na net encontrou este blog e teve a amabilidade de me escrever a contar o facto e ainda de enviar algumas fotografias, que deste modo agradeço e aqui publico. Já que este blog foi uma referência do motor de pesquisa sobre a Ribeira do Vascão, conta agora com mais um contributo na divulgação deste património natural.

Fotos de João Paulo Galacho

- A roca de fiar


Descobri recentemente, em casa da minha avó, uns negativos antigos de fotos tiradas pelo meu avô, nas décadas de 50 e 60. São, na sua maior parte, fotografias de Alcoutim e de Alcaria Alta, algumas das quais nunca tinham sido reveladas.
Esta foto é de uma mulher que morava em Alcaria Alta e que trabalhava numa actividade muito comum na altura, a indústria (ainda rudimentar) têxtil. Estava a fiar a lã numa roca, instrumento utilizado para torcer a lã e transformá-la nos fios que depois seriam utilizados nos teares para tecer mantas, cobertores, casacos e outras peças.
A minha avó conta que as mulheres, tal como a da fotografia, andavam pela rua, conversando com as vizinhas, enquanto fiavam. Seria sem dúvida um trabalho bem mais animado do que se fosse feito em casa...
Lembro-me do meu avô me contar que o seu primeiro trabalho foi tecelão (ainda hoje temos mantas de retalhos e cobertores de lã feitos por ele) e que o seu pai tinha vários teares em casa, onde trabalhavam algumas pessoas do monte e de outros lados. Contou-me também que uma dessas pessoas foi o António Aleixo, o poeta popular. É conhecido o seu ofício de tecelão, à semelhança do seu pai, que terá praticado entre 1912 e 1919, segundo a sua biografia.
Não cheguei a ver teares lá na casa de Alcaria Alta, pelo menos não me lembro. Mas lembro-me de ser pequena e de andar a correr, na casa da prima Claudina, à volta de um tear, com uma neta dela, não sei qual delas, não me lembro o nome... é uma imagem que tenho :)

- João Baltazar Guerreiro


O sr. José Varzeano, no seu blog Alcoutim Livre, publicou um artigo sobre um alcoutenejo nascido em Alcaria Alta, João Baltazar Guerreiro. Apesar de ser o meu avô, desconhecia alguns interessantes aspectos que foram referidos, nomeadamente o de ter sido correspondente do jornal O Século, de entre tantas outras ocupações que teve. Obrigado pela homenagem das suas palavras.

http://alcoutimlivre.blogspot.com/2009/11/recordar-um-alcoutenejo-joao-baltazar.html

- Festa de Alcoutim


Há festa no concelho!
Começa hoje, quarta-feira dia 9, e prolonga-se até domingo, dia 13, a Festa de Alcoutim.
A programação é diversificada, desde torneios de cartas, voleibol ou futebol, animação de rua, jogos tradicionais, bailes, espectáculos musicais e a já famosa discoteca no cais para animar pela noite dentro.

Programação completa no cartaz acima publicado. Clique na imagem para visualizar num formato maior.

- A figueira-da-índia

A figueira-da-índia, também conhecida por figueira-da-barbária, tuna ou piteira (Opuntia ficus-indica), é uma espécie que se encontra um pouco por todo o lado, nos montes do concelho de Alcoutim. O seu fruto, o figo-da-índia ou figo-de-tuna, era antigamente dado como alimento aos porcos, motivo esse que leva a que, nos dias de hoje, se vejam estes cactos de grandes dimensões a galgar os muros das antigas pocilgas.

As piteiras atingem grandes alturas, podendo chegar facilmente aos 3 ou 4 metros. Os seus troncos são grossos, os ramos clorofilados achatados de cor verde com picos e as suas flores são de cor alaranjada.

Originária da América tropical, a sua introdução na europa ter-se-á devido a fins ornamentais e aos seus frutos comestíveis. É uma espécie exótica, considerada invasora em muitos locais do mundo e em alguns locais do nosso país.
Os seus frutos são suculentos, amarelos-alaranjados, mas com uns espinhos pequenos e muito finos. Para retirá-los, a melhor técnica (aprendida em Alcaria Alta, com os meus avós) é colocá-los num balde ou alguidar e varrê-los energeticamente com uma vassoura de palha. Quando comidos quentes, "fazem mal à barriga", segundo a mesma fonte, devendo por isso ser colocados no frigorífico se forem colhidos à hora do calor.

As suas propriedades medicinais são conhecidas, sendo indicada para problemas de saúde tão diversificados como afecções das vias respiratórias, asma, diabetes, diarreia, dores reumáticas, entre outros. Externamente, utiliza-se no eczema, psoríase e dores musculares.

- Tia Maria Teixeira


A Tia Maria Teixeira, irmã do meu (infelizmente já falecido) avô João, vive há vários anos em Lisboa, junto da filha, mas vem a Alcaria Alta regularmente. Desta vez, a vinda à terra tinha um gostinho especial, pois iria ver a sua casa nova, que foi restaurada este ano. Ficou encantada ao ver a sua casa moderna, com todas as comodidades, confortável e bonita. No entanto, esta alegria durou pouco pois, passadas umas horas, deu uma queda e partiu uma perna. Foi transportada de imediato para o hospital, onde foi operada, encontrando-se agora a recuperar. Espero que esta recuperação seja rápida, que possa em breve voltar para umas férias em Alcaria Alta e usufruir da sua casa nova.
À Tia Maria Teixeira os votos de rápidas melhoras e o desejo de vê-la em breve no monte.

(Foto tirada em 2005, ao lado da casinha do forno)

- Referência a Alcaria Alta

Não podia deixar de fazer referência a uma entrada, no blog Alcoutim Livre, sobre Alcaria Alta, de seu título "Alcaria Alta foi o mais importante monte da freguesia de Giões", no qual o sr. José Varzeano descreve informações muito interessantes, algumas para mim desconhecidas, acerca do monte que dá nome a este blog. E até tem uma foto da "Casa do Monte" :)

- A Casa do Monte


A nossa última ida ao monte foi dedicada à pintura, bricolage e decoração. Como está muito calor para andar de bicicleta e este ainda se faz sentir com maior intensidade no interior da serra algarvia, tirámos um fim-de-semana para nos dedicarmos à Casa do Monte. Assim, acordámos cedo e deitámos mãos à obra. Começámos por pintar as tradicionais barras azuis e dar um ar mais típico e colorido à casa caiada de branco. Numa altura em que se começa a ver, um pouco por todo o monte, as barras azuis, amarelas ou verdes serem substituídas por azulejos que nada têm a ver com a traça original, nós, que temos tanto de modernistas como de tradicionalistas, optámos por seguir esta última corrente...
Com as barras praticamente concluídas, apenas a precisar de uns retoques, e o calor do meio-dia a começar a apertar, dedicámo-nos ao interior da casa.


Começámos pela arrecadação dos fundos que tinha tanta tralha e estava tão desarrumada, que mal se podia entrar. Arrumámos tudo aos cantos, libertámos montes de espaço e ainda encontrámos diversos objectos antigos que utilizámos para redecorar a sala: panelas e alguidares de barro, potes, candeeiros a petróleo, cântaros, entre outros.


Arrastámos móveis, mudámos objectos de local, deitámos lixo fora, arrumámos arcas de madeira, descobrimos e redescobrimos imensas coisas.


Por fim, ainda demos uma ajudinha à parreira que cresce ao lado da casa e estava caída ao lado do poste. Com uns parafusos e um arame orientámo-la em direcção ao telhado da casa para ir subindo para o lugar que sempre foi o dela.
Foi um dia de grande trabalho, feito com enorme prazer, no qual transformámos a casa do monte num local mais bonito, acolhedor e confortável.

O antes:

e o depois:

- O pastor do Viçoso

.Depois de visitarmos o Viçoso, descemos o monte e avistámos um enorme rebanho de cabras. Como elas estavam a ocupar uma boa parte do caminho e dirigiam-se na nossa direcção, parámos um pouco para não as assustar e aproveitámos para tirar umas fotos.
O pastor estava debaixo de uma árvore a abrigar-se do calor que se fazia sentir e, ao ver o rebanho a subir o monte, teve de deixar o seu posto para tentar apanhar as cabras que se dispersavam.
Tratava-se do Sr. António Madeira, que vivia em Giões e vinha para ali pastar o seu rebanho, diariamente. A conversa desenrolou-se e acabámos por saber que tinha sido o último habitante do Viçoso.
Há 34 anos, quando faleceu o último membro de uma outra família da aldeia, o Sr. António e a família decidiram mudar-se para Giões, a sede da freguesia, terra da sua esposa, e abandonar o isolamento a que ficariam votados se permanecessem no Viçoso…
E assim fomos informados de que o monte do Viçoso está desabitado há 34 anos, altura em que os montes ainda nem electricidade tinham, pois não se vê um poste ou uma instalação nas casas.
Foi curioso encontrar o Sr. António Madeira, o habitante que migrou para outro local mas que, diariamente, vai pastar o seu gado para as imediações do monte que o viu nascer e onde viveu a maior parte da vida…
Na nossa conversa não ficámos a saber a idade do pastor do Viçoso, mas disse-nos que era da idade do meu avô, que tinha conhecido muito bem, ou seja, andará pelos oitenta e dois ou oitenta e três. O que é de louvar é que, apesar da idade, aparenta estar “viçoso” e continua a adiar o dia da reforma.

Depois da conversa e das cabras novamente sob a sua alçada, o Sr. António voltou para debaixo da árvore, as cabras puseram-se a pastar à sua volta e nós seguimos caminho...

- Imagens do percurso do Viçoso

Os momentos são muitos, ficam apenas alguns que marcam um percurso com uma grande riqueza cultural e natural...