- Percurso "Caminhos da Fonte" - Pereiro
Ao sair da Silveira passámos por um grande rebanho de ovelhas e seguimos o caminho do percurso que leva de novo até ao Pereiro. No entanto, antes de chegarmos a esta aldeia, fizémos um desvio à direita e seguimos em direcção a Alcaria Alta, num caminho paralelo à Estrada Nacional 124. No total fizémos cerca de 30 km, de subidas e descidas, por montes e vales.
Informações:
- Lontras na Ribeira do Vascão

Há uns dias recebi um email de um admirador das paisagens do interior algarvio e alentejano, João Paulo Galacho, que, num passeio de bicicleta, teve o privilégio de ver uma lontra na Ribeira do Vascão e de lhe tirar algumas fotos. Ao pesquisar sobre a Ribeira do Vascão na net encontrou este blog e teve a amabilidade de me escrever a contar o facto e ainda de enviar algumas fotografias, que deste modo agradeço e aqui publico. Já que este blog foi uma referência do motor de pesquisa sobre a Ribeira do Vascão, conta agora com mais um contributo na divulgação deste património natural.

Fotos de João Paulo Galacho
- A roca de fiar
- João Baltazar Guerreiro
O sr. José Varzeano, no seu blog Alcoutim Livre, publicou um artigo sobre um alcoutenejo nascido em Alcaria Alta, João Baltazar Guerreiro. Apesar de ser o meu avô, desconhecia alguns interessantes aspectos que foram referidos, nomeadamente o de ter sido correspondente do jornal O Século, de entre tantas outras ocupações que teve. Obrigado pela homenagem das suas palavras:
O cachimbo e as fumaças caracterizavam o seu porte. Vestia sempre fato completo.
Conheci-o logo que cheguei à vila de Alcoutim em 1967. Já lá vão uns bons anos!
Era natural do concelho, mais propriamente do monte de Alcaria Alta, onde nasceu em 1926.
É na sede da sua freguesia, a aldeia de Giões, que faz a 4ª classe sendo sempre bom aluno.
As dificuldades em todo o país eram muitas e em Alcoutim, pelo que se conhece, ainda era pior. Poucos conseguiam fugir da ocupação agrícola ou do pastoreio para a casa ou para o patrão.
Quem possuía uma arte já estaria um pouco melhor mas a diferença não era muita. João Guerreiro aprendeu com os pais a arte de tecelão. Teciam linho com que se faziam toalhas de rosto, lençóis, colchas, etc. A lã dava origem a belíssimos cobertores e mantas, entre outras peças.
Nesta altura a freguesia de Giões era a mais têxtil do concelho com teares rudimentares espalhados por todos os montes, havendo igualmente na aldeia grande actividade nesta arte artesanal como já tenho tido oportunidade de referir noutras ocasiões.
Depois, como pessoa sempre interessada em saber coisas novas, aprende a técnica da destilação e instalou um alambique no monte natal onde destila principalmente medronho e figo.
Pelos 24 anos procura companheira, com quem casa e foi buscar a um monte relativamente perto, mas da freguesia de Vaqueiros. Foi a mãe de seus filhos e um pilar onde sempre se apoiou.
Chegou à Vila de Alcoutim para tomar posse do lugar de Aferidor de Pesos e Medidas da Câmara Municipal o que veio a acontecer em 21 de Julho de 1952 e onde vencia uma ridícula importância mensal. Verdade seja que não cumpria o horário normal do funcionalismo, pois não ganhava para isso por um lado e o trabalho igualmente não o justificava. Ia à Câmara quando era preciso e não mais.
Tinha contudo o serviço anual de aferição que se realizava no princípio do ano, se não estou em erro e que naturalmente efectuava percorrendo todo o concelho.
Deslocava-se diariamente de Alcaria Alta, à vila e só por volta de 1958 se fixou na sede do concelho com a família. Monta entretanto uma pequena relojoaria, consertando e vendendo relógios em nome da esposa já que como funcionário não a podia possuir. Isso acontece numa pequena casa situada na Rua Portas de Mértola e onde paga 60$00 de renda.
Cerca de um ano depois muda-se para a Rua do Município onde é hoje o Bar Miragem e parte do Minimercado Soeiro, onde igualmente fixa residência.
Tendo sido posto em venda o edifício comercial que foi desde tempos imemoriais a chave do comércio da vila, sendo no século XIX propriedade da Família Torres, passando depois para a Família Serafim, foi a esta que João Baltazar Guerreiro o adquiriu.
Como já aqui informei, numa pequena divisão que tinha porta para a Rua Dr. João Dias, montou um pequeníssimo café com duas ou três mesas e em que a máquina só tirava um café de cada vez.
O Café veio pouco tempo depois a motivar toda a reorganização do espaço comercial, pois foi o ramo que passou a ocupar maior espaço, já com uma máquina moderna e com dez ou doze mesas.
Se não estou em erro, pertenceu a João Baltazar Guerreiro, que usava muito na escrita e na palavra JBGuerreiro, a iniciativa de mostrar a televisão acabada de chegar, o que não era fácil devido a muitos condicionalismo, que já aqui referi, de ordem técnica e geográfica. Funcionava nessa altura na parte alta da vila, na Rua D. Sancho II, em casa que foi de Leopoldo Martins um aparelho de TV, havendo cadeiras para as pessoas se sentarem, pagando-se por isso 1$00 que revertia a favor da Santa Casa da Misericórdia. A imagem era naturalmente muito deficiente mas mesmo assim tinha sempre casa cheia.
Fui lá duas ou três vezes, uma delas para ver o famoso Zip Zip, com Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz. A instalação deste aparelho teve por base o interesse e desenvolvimento de JBGuerreiro.
Numa destas tarefas, vieram jantar à vila para depois continuar a sessão. Por precaução, decidiram tapar o gerador com uma serapilheira. Ao regressarem para continuar o trabalho, como o motor estava quente, a saca ardeu queimando a máquina. Ficou realizada a sessão da noite!
João Guerreiro teve sempre tendências para estas coisas: relógios, máquinas fotográficas, rádios, televisores, fogões, etc.
Tinha também outros interesses, talvez menos conhecidos e de que eu me apercebi com alguma admiração. Gostava de saber as coisas do passado, interessava-se pela história, arqueologia, pelas lendas, pelos monumentos, velhas minas, etc. e algumas pistas sobre determinados assuntos foram-me dadas por ele.
Como já aqui referi foi na sua mão que vi pela primeira vez uma parte do livro do Visconde de Sanches de Baêna, Famílias Nobres do Algarve, 1900, que eu então desconhecia completamente. Mostrou-me também um código de justiça que penso ser do começo do período liberal e outras velharias que agora não posso precisar.
Não era fácil encontrar nessa altura na vila uma pessoa que se interessasse por estes assuntos.
Era no seu estabelecimento comercial, por deferência do casal Guerreiro, que para o efeito me mandavam chamar e que eu ia atender as chamadas da minha então namorada.
Os telemóveis estavam ainda muito distantes!
Era um “bon vivant”, adorando um petisco com os amigos e que tinha muitas vezes lugar na rua, frente à porta do primitivo café. Tudo servia para a petisqueira para se beber um copo e onde nunca faltava, porque também era admirador, as cantorias, ora os cantares alentejanos que praticava, ora o fado tanto de Lisboa como de Coimbra, conforme os convivas se ajeitavam e havia sempre quem fizesse uma perninha. Isto por vezes entrava pela noite dentro, com os naturais protestos da D. Cesaltina.
João Guerreiro era um homem solidário e não me esqueço que em 1970 quando fui levar a minha mulher para nascer o meu filho, no regresso, nas descidas da ponte da Foupana, saltou uma roda ao táxi e se nada de grave aconteceu, foi porque não calhou.
Tendo-se sabido isto na vila, João Guerreiro meteu-se no carro com o Dr. João Dias e foram ao nosso encontro para o que fosse necessário. Encontrámo-nos ao Celeiro. Nunca me esqueci disto.
Em conversas recatadas, mostrou sempre a sua discordância com o regime político vigente.
Foi correspondente do jornal diário O Século.
Em 1972 e após a saída do Dr. João Lopes Dias, de quem era amigo, para S. Brás de Alportel, resolveu pedir a sua transferência para a Câmara Municipal de Loulé, onde já tinha um vencimento compatível e possibilidades para os filhos continuarem os estudos.
Aqui se reformou em 1990, tendo falecido nove anos depois.
A última vez que com ele contactei foi no Convívio de Naturais do concelho de Alcoutim na Amora, penso que em 1986, onde me desloquei a convite da organização e onde ele tinha ido também com o Dr. João Dias.
Recordar aqui este alcoutenejo é uma pequena e justa homenagem que lhe prestamos.
Nota Breve
Agradeço à Família, nomeadamente a sua filha Odília e viúva D. Cesaltina, a colaboração prestada."
- Festa de Alcoutim

Programação completa no cartaz acima publicado. Clique na imagem para visualizar num formato maior.
- A figueira-da-índia
Os seus frutos são suculentos, amarelos-alaranjados, mas com uns espinhos pequenos e muito finos. Para retirá-los, a melhor técnica (aprendida em Alcaria Alta, com os meus avós) é colocá-los num balde ou alguidar e varrê-los energeticamente com uma vassoura de palha. Quando comidos quentes, "fazem mal à barriga", segundo a mesma fonte, devendo por isso ser colocados no frigorífico se forem colhidos à hora do calor.
- Tia Maria Teixeira
- Referência a Alcaria Alta
- A Casa do Monte
A nossa última ida ao monte foi dedicada à pintura, bricolage e decoração. Como está muito calor para andar de bicicleta e este ainda se faz sentir com maior intensidade no interior da serra algarvia, tirámos um fim-de-semana para nos dedicarmos à Casa do Monte. Assim, acordámos cedo e deitámos mãos à obra. Começámos por pintar as tradicionais barras azuis e dar um ar mais típico e colorido à casa caiada de branco. Numa altura em que se começa a ver, um pouco por todo o monte, as barras azuis, amarelas ou verdes serem substituídas por azulejos que nada têm a ver com a traça original, nós, que temos tanto de modernistas como de tradicionalistas, optámos por seguir esta última corrente...
Com as barras praticamente concluídas, apenas a precisar de uns retoques, e o calor do meio-dia a começar a apertar, dedicámo-nos ao interior da casa.
Começámos pela arrecadação dos fundos que tinha tanta tralha e estava tão desarrumada, que mal se podia entrar. Arrumámos tudo aos cantos, libertámos montes de espaço e ainda encontrámos diversos objectos antigos que utilizámos para redecorar a sala: panelas e alguidares de barro, potes, candeeiros a petróleo, cântaros, entre outros.
Arrastámos móveis, mudámos objectos de local, deitámos lixo fora, arrumámos arcas de madeira, descobrimos e redescobrimos imensas coisas.
Por fim, ainda demos uma ajudinha à parreira que cresce ao lado da casa e estava caída ao lado do poste. Com uns parafusos e um arame orientámo-la em direcção ao telhado da casa para ir subindo para o lugar que sempre foi o dela.
Foi um dia de grande trabalho, feito com enorme prazer, no qual transformámos a casa do monte num local mais bonito, acolhedor e confortável.
O antes:
e o depois:
- O pastor do Viçoso
O pastor estava debaixo de uma árvore a abrigar-se do calor que se fazia sentir e, ao ver o rebanho a subir o monte, teve de deixar o seu posto para tentar apanhar as cabras que se dispersavam.
Há 34 anos, quando faleceu o último membro de uma outra família da aldeia, o Sr. António e a família decidiram mudar-se para Giões, a sede da freguesia, terra da sua esposa, e abandonar o isolamento a que ficariam votados se permanecessem no Viçoso…
E assim fomos informados de que o monte do Viçoso está desabitado há 34 anos, altura em que os montes ainda nem electricidade tinham, pois não se vê um poste ou uma instalação nas casas.
Foi curioso encontrar o Sr. António Madeira, o habitante que migrou para outro local mas que, diariamente, vai pastar o seu gado para as imediações do monte que o viu nascer e onde viveu a maior parte da vida…
Na nossa conversa não ficámos a saber a idade do pastor do Viçoso, mas disse-nos que era da idade do meu avô, que tinha conhecido muito bem, ou seja, andará pelos oitenta e dois ou oitenta e três. O que é de louvar é que, apesar da idade, aparenta estar “viçoso” e continua a adiar o dia da reforma.
Depois da conversa e das cabras novamente sob a sua alçada, o Sr. António voltou para debaixo da árvore, as cabras puseram-se a pastar à sua volta e nós seguimos caminho... - Imagens do percurso do Viçoso
- O percurso do Viçoso
O percurso inicia-se em Giões, seguindo pelo caminho que leva ao lavadouro público. Está bem sinalizado e basta seguir as indicações para fazer os 3 km até ao monte do Viçoso, que lhe dá o nome.
O Viçoso é um dos mais fortes testemunhos da desertificação do concelho de Alcoutim e do interior algarvio. É uma aldeia completamente desabitada, com casas de xisto em ruínas, alguns resquícios de cal branca e vários telhados caídos.
Como já tínhamos feito uns 8 km (Alcaria Alta - Giões - Viçoso) e o pequeno almoço já lá ia, sentámo-nos numas pedras debaixo de uma amendoeira para merendar antes de voltar à estrada. De frente para as casas abandonadas, conversámos sobre as pessoas que ali teriam vivido e imaginámos os tempos em que o Viçoso fazia jus ao nome...
Descemos o monte e passámos por um enorme rebanho de cabras que já tínhamos avistado ao longe. Em conversa com o pastor ficámos a saber que, juntamente com a sua família, foi o último habitante do Viçoso. Este curioso episódio ficará para contar posteriormente, num texto a ele dedicado.
Chegámos estafados e, como era a hora do calor, não se via vivalma. Fomos passando pelas casas caiadas de branco de portas e janelas fechadas até que avistámos umas botijas de gás e uma caixa de correio junto a uma porta que parecia aberta, por trás das fitas verdes.
Continuámos em direcção a Clarines, a povoação que fica mesmo ao lado de Farelos. Mais uma vez não vimos ninguém nas ruas e parámos numa fonte para beber água e encher as garrafas.
Seguimos por um caminho de terra batida e acabámos por nos desviar um pouco do percurso. Fomos na direcção que nos parecia ser a que levaria a Giões e acabámos por andar uns quilómetros perdidos, apesar de não ter sido em vão, porque a paisagem era igualmente interessante.
A certa altura, encontrámos uma estrada alcatroada e demos connosco de volta ao percurso, pois era a estrada de Clarines a Giões, onde este terminava. Como a estrada vai dar precisamente ao café Poço Novo, fizémos mais uma paragem para retemperar forças para a viagem de volta a Alcaria Alta...
Informações:
Percurso pedestre/BTT do Viçoso (pdf)
Percursos pedestres/BTT do concelho de Alcoutim
- De bicicleta até ao Vascão
Depois de um pequeno-almoço reforçado saímos de Alcaria Alta, monte abaixo até Giões, onde fizémos uma paragem no café Poço Novo para beber um café. Depois seguimos na direcção norte até à Ribeira do Vascão. Como as ribeiras correm sempre em locais baixos, foram vários quilómetros a descer, em que o principal pensamento era " quando tivermos de subir em sentido contrário é que vai ser a doer..."
Depois de passarmos por vários montes começámos a vislumbrar a ribeira, que corria cheia de água, em direcção ao Guadiana. Depois de um inverno chuvoso como o deste ano, outra coisa não seria de esperar...
A Ribeira do Vascão é um dos principais afluentes do Rio Guadiana. Divide os concelhos de Alcoutim e Mértola, marcando a fronteira entre o Alentejo e o Algarve.
Deixámos as bicicletas presas a uma árvore, junto à ponte, e seguimos ribeira abaixo a pé, usufruindo da sua riqueza paisagística. A Primavera estava a chegar e por todo o lado se via vegetação verde e flores variadas, nomeadamente a flor da esteva, que povoa os montes, e as amendoeiras em flor, tão características do nosso Algarve.
A caminhada durou cerca de hora e meia, após a qual fizemos uma pausa para descansar e retemperar forças com uma merenda à beira da água. Antes do caminho de regresso ainda nos divertimos um bocado, a fazer saltitar pedrinhas na água que davam 5, 6 ou 7 saltos e saltavam novamente para fora de água na outra margem. Dentro de nós existiu, existe e existirá sempe uma criança...! :)
Procurámos um local onde a ribeira era mais estreita para atravessá-la e fazer o percurso inverso na outra margem. Apesar de a travessia ter durado poucos segundos, deu para sentir a água gelada até aos ossos...
Passámos pelos moinhos de água do concelho de Mértola que já tínhamos avistado na outra margem. Primeiro o Moinho do Alferes, que esteve em funcionamento até à década de sessenta e foi recentemente recuperado para ser utilizado em actividades de sensibilidade ambiental.
Chegámos depois ao Moinho das Relíquias, que fica junto à ponte sobre a ribeira. Este moinho está em ruínas, bem como a casa anexa. No entanto, estava aberto e foi-nos possível ver o engenho por dentro, onde ainda se encontravam algumas mós.
Chegados novamente ao local onde tínhamos deixado as bicicletas, sentámo-nos junto à ponte a descansar um pouco antes da grande subida de volta, tirámos uma última foto e partimos rumo a Alcaria Alta.
- O mamarracho
Foi com grande surpresa que, há uns tempos atrás, me deparei com uma construção, lá para os lados do Reguengo, composta por rés-do-chão, primeiro e, como se não bastasse, segundo andar!
