- Imagens do Percurso do Pereiro










- Percurso "Caminhos da Fonte" - Pereiro


Foi já há algumas semanas atrás que fomos passar mais um fim-de-semana a Alcaria Alta e, mais uma vez, fazer um percurso de bicicleta. Desta vez escolhemos o Percurso do Pereiro "Caminhos da Fonte", que tem cerca de 10 km e começa precisamente nesta sede de freguesia. Saímos de Alcaria Alta e fizémos os cerca de 10km deste monte até ao Pereiro. Parámos no café para retemperar energias antes de iniciar o percurso propriamente dito.
O percurso começa no entroncamento da aldeia do Pereiro para a Fonte Zambujo, por uma estrada asfaltada onde percorremos cerca de 1 km, até entrar por uma estrada de terra batida que passa junto à barragem do Pereiro. Seguindo até à Fonte Zambujo de Cima, percorremos o vale que separa esta povoação da Fonte Zambujo por um trilho que a certa altura era tão íngreme que foi feito com a bicicleta à mão. Daqui seguímos até à Fonte Zambujo de Baixo e depois pela estrada que seguia em direcção a Silveira.
A Silveira, tal como o Viçoso, é um monte completamente desabitado. O percurso passa mesmo pelo meio da aldeia e fizémos uma paragem para percorrer as suas ruelas e ver as casas há muito abandonadas, imaginando, por momentos, como seria a vida daquela aldeia nos seus tempos movimentados...

Ao sair da Silveira passámos por um grande rebanho de ovelhas e seguimos o caminho do percurso que leva de novo até ao Pereiro. No entanto, antes de chegarmos a esta aldeia, fizémos um desvio à direita e seguimos em direcção a Alcaria Alta, num caminho paralelo à Estrada Nacional 124. No total fizémos cerca de 30 km, de subidas e descidas, por montes e vales.

Informações:

- Lontras na Ribeira do Vascão

A Ribeira do Vascão é rica em fauna, desde répteis e anfíbios, passando por diversas aves migratórias. Segundo algumas fontes que pesquisei, salienta-se ainda a ocorrência generalizada da lontra que, tratando-se de uma espécie em vias de extinção, será uma ocasião rara avistar-se um exemplar naquelas bandas...
Há uns dias recebi um email de um admirador das paisagens do interior algarvio e alentejano, João Paulo Galacho, que, num passeio de bicicleta, teve o privilégio de ver uma lontra na Ribeira do Vascão e de lhe tirar algumas fotos. Ao pesquisar sobre a Ribeira do Vascão na net encontrou este blog e teve a amabilidade de me escrever a contar o facto e ainda de enviar algumas fotografias, que deste modo agradeço e aqui publico. Já que este blog foi uma referência do motor de pesquisa sobre a Ribeira do Vascão, conta agora com mais um contributo na divulgação deste património natural.

Fotos de João Paulo Galacho

- A roca de fiar


Descobri recentemente, em casa da minha avó, uns negativos antigos de fotos tiradas pelo meu avô, nas décadas de 50 e 60. São, na sua maior parte, fotografias de Alcoutim e de Alcaria Alta, algumas das quais nunca tinham sido reveladas.
Esta foto é de uma mulher que morava em Alcaria Alta e que trabalhava numa actividade muito comum na altura, a indústria (ainda rudimentar) têxtil. Estava a fiar a lã numa roca, instrumento utilizado para torcer a lã e transformá-la nos fios que depois seriam utilizados nos teares para tecer mantas, cobertores, casacos e outras peças.
A minha avó conta que as mulheres, tal como a da fotografia, andavam pela rua, conversando com as vizinhas, enquanto fiavam. Seria sem dúvida um trabalho bem mais animado do que se fosse feito em casa...
Lembro-me do meu avô me contar que o seu primeiro trabalho foi tecelão (ainda hoje temos mantas de retalhos e cobertores de lã feitos por ele) e que o seu pai tinha vários teares em casa, onde trabalhavam algumas pessoas do monte e de outros lados. Contou-me também que uma dessas pessoas foi o António Aleixo, o poeta popular. É conhecido o seu ofício de tecelão, à semelhança do seu pai, que terá praticado entre 1912 e 1919, segundo a sua biografia.
Não cheguei a ver teares lá na casa de Alcaria Alta, pelo menos não me lembro. Mas lembro-me de ser pequena e de andar a correr, na casa da prima Claudina, à volta de um tear, com uma neta dela, não sei qual delas, não me lembro o nome... é uma imagem que tenho :)

- João Baltazar Guerreiro


O sr. José Varzeano, no seu blog Alcoutim Livre, publicou um artigo sobre um alcoutenejo nascido em Alcaria Alta, João Baltazar Guerreiro. Apesar de ser o meu avô, desconhecia alguns interessantes aspectos que foram referidos, nomeadamente o de ter sido correspondente do jornal O Século, de entre tantas outras ocupações que teve. Obrigado pela homenagem das suas palavras:

"Estatura média, para o forte. Barriga um pouco saliente. Feições gradas, olhos grandes, cabelo preto e hirto. Um timbre de voz não vulgar e inconfundível. Devia de andar na casa dos quarenta.
O cachimbo e as fumaças caracterizavam o seu porte. Vestia sempre fato completo.
Conheci-o logo que cheguei à vila de Alcoutim em 1967. Já lá vão uns bons anos!
Era natural do concelho, mais propriamente do monte de Alcaria Alta, onde nasceu em 1926.
É na sede da sua freguesia, a aldeia de Giões, que faz a 4ª classe sendo sempre bom aluno.
As dificuldades em todo o país eram muitas e em Alcoutim, pelo que se conhece, ainda era pior. Poucos conseguiam fugir da ocupação agrícola ou do pastoreio para a casa ou para o patrão.
Quem possuía uma arte já estaria um pouco melhor mas a diferença não era muita. João Guerreiro aprendeu com os pais a arte de tecelão. Teciam linho com que se faziam toalhas de rosto, lençóis, colchas, etc. A lã dava origem a belíssimos cobertores e mantas, entre outras peças.
Nesta altura a freguesia de Giões era a mais têxtil do concelho com teares rudimentares espalhados por todos os montes, havendo igualmente na aldeia grande actividade nesta arte artesanal como já tenho tido oportunidade de referir noutras ocasiões.
Depois, como pessoa sempre interessada em saber coisas novas, aprende a técnica da destilação e instalou um alambique no monte natal onde destila principalmente medronho e figo.
Pelos 24 anos procura companheira, com quem casa e foi buscar a um monte relativamente perto, mas da freguesia de Vaqueiros. Foi a mãe de seus filhos e um pilar onde sempre se apoiou.
Chegou à Vila de Alcoutim para tomar posse do lugar de Aferidor de Pesos e Medidas da Câmara Municipal o que veio a acontecer em 21 de Julho de 1952 e onde vencia uma ridícula importância mensal. Verdade seja que não cumpria o horário normal do funcionalismo, pois não ganhava para isso por um lado e o trabalho igualmente não o justificava. Ia à Câmara quando era preciso e não mais.
Tinha contudo o serviço anual de aferição que se realizava no princípio do ano, se não estou em erro e que naturalmente efectuava percorrendo todo o concelho.
Deslocava-se diariamente de Alcaria Alta, à vila e só por volta de 1958 se fixou na sede do concelho com a família. Monta entretanto uma pequena relojoaria, consertando e vendendo relógios em nome da esposa já que como funcionário não a podia possuir. Isso acontece numa pequena casa situada na Rua Portas de Mértola e onde paga 60$00 de renda.
Cerca de um ano depois muda-se para a Rua do Município onde é hoje o Bar Miragem e parte do Minimercado Soeiro, onde igualmente fixa residência.
Tendo sido posto em venda o edifício comercial que foi desde tempos imemoriais a chave do comércio da vila, sendo no século XIX propriedade da Família Torres, passando depois para a Família Serafim, foi a esta que João Baltazar Guerreiro o adquiriu.
Quando conheci o estabelecimento comercial compunha-se de mercearia e venda, vendendo também relógios, rádios, balanças e fogões a gás, que eu me lembre.
Como já aqui informei, numa pequena divisão que tinha porta para a Rua Dr. João Dias, montou um pequeníssimo café com duas ou três mesas e em que a máquina só tirava um café de cada vez.
O Café veio pouco tempo depois a motivar toda a reorganização do espaço comercial, pois foi o ramo que passou a ocupar maior espaço, já com uma máquina moderna e com dez ou doze mesas.
Se não estou em erro, pertenceu a João Baltazar Guerreiro, que usava muito na escrita e na palavra JBGuerreiro, a iniciativa de mostrar a televisão acabada de chegar, o que não era fácil devido a muitos condicionalismo, que já aqui referi, de ordem técnica e geográfica. Funcionava nessa altura na parte alta da vila, na Rua D. Sancho II, em casa que foi de Leopoldo Martins um aparelho de TV, havendo cadeiras para as pessoas se sentarem, pagando-se por isso 1$00 que revertia a favor da Santa Casa da Misericórdia. A imagem era naturalmente muito deficiente mas mesmo assim tinha sempre casa cheia.
Fui lá duas ou três vezes, uma delas para ver o famoso Zip Zip, com Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz. A instalação deste aparelho teve por base o interesse e desenvolvimento de JBGuerreiro.
Ainda há poucos anos tive conhecimento que também tinha sido ele que no moinho da Pateira, perto de Afonso Vicente, instalou antena e aparelho dando assim oportunidade às pessoas desta zona, que na altura eram muitas, de ver pela primeira vez imagens televisivas. Pagavam, segundo o meu informador, 1$00.
Numa destas tarefas, vieram jantar à vila para depois continuar a sessão. Por precaução, decidiram tapar o gerador com uma serapilheira. Ao regressarem para continuar o trabalho, como o motor estava quente, a saca ardeu queimando a máquina. Ficou realizada a sessão da noite!
João Guerreiro teve sempre tendências para estas coisas: relógios, máquinas fotográficas, rádios, televisores, fogões, etc.
Foi João Guerreiro que teve a iniciativa nos primeiros anos da década de 60 de fomentar a edição de uma colecção de postais representativos da vila, o que até aí nunca tinha acontecido.
Ainda que a escolaridade fosse a própria da época (4ª classe), João Guerreiro gostava de ler e com isso ia aprendendo, já que era uma pessoa inteligente. Depois punha em prática o que aprendia para admiração dos outros. Dizia muitas vezes:- Isso é fácil de fazer, é preciso é ter as coisas que por vezes não se arranjam. Era um “engenhocas” no sentido positivo do termo.
Tinha também outros interesses, talvez menos conhecidos e de que eu me apercebi com alguma admiração. Gostava de saber as coisas do passado, interessava-se pela história, arqueologia, pelas lendas, pelos monumentos, velhas minas, etc. e algumas pistas sobre determinados assuntos foram-me dadas por ele.
Como já aqui referi foi na sua mão que vi pela primeira vez uma parte do livro do Visconde de Sanches de Baêna, Famílias Nobres do Algarve, 1900, que eu então desconhecia completamente. Mostrou-me também um código de justiça que penso ser do começo do período liberal e outras velharias que agora não posso precisar.
Não era fácil encontrar nessa altura na vila uma pessoa que se interessasse por estes assuntos.
Era no seu estabelecimento comercial, por deferência do casal Guerreiro, que para o efeito me mandavam chamar e que eu ia atender as chamadas da minha então namorada.
Os telemóveis estavam ainda muito distantes!
Era um “bon vivant”, adorando um petisco com os amigos e que tinha muitas vezes lugar na rua, frente à porta do primitivo café. Tudo servia para a petisqueira para se beber um copo e onde nunca faltava, porque também era admirador, as cantorias, ora os cantares alentejanos que praticava, ora o fado tanto de Lisboa como de Coimbra, conforme os convivas se ajeitavam e havia sempre quem fizesse uma perninha. Isto por vezes entrava pela noite dentro, com os naturais protestos da D. Cesaltina.
João Guerreiro era um homem solidário e não me esqueço que em 1970 quando fui levar a minha mulher para nascer o meu filho, no regresso, nas descidas da ponte da Foupana, saltou uma roda ao táxi e se nada de grave aconteceu, foi porque não calhou.
Tendo-se sabido isto na vila, João Guerreiro meteu-se no carro com o Dr. João Dias e foram ao nosso encontro para o que fosse necessário. Encontrámo-nos ao Celeiro. Nunca me esqueci disto.
Em conversas recatadas, mostrou sempre a sua discordância com o regime político vigente.
xerceu durante alguns anos as funções de tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia de Alcoutim.
Foi correspondente do jornal diário O Século.
Em 1972 e após a saída do Dr. João Lopes Dias, de quem era amigo, para S. Brás de Alportel, resolveu pedir a sua transferência para a Câmara Municipal de Loulé, onde já tinha um vencimento compatível e possibilidades para os filhos continuarem os estudos.
Aqui se reformou em 1990, tendo falecido nove anos depois.
A última vez que com ele contactei foi no Convívio de Naturais do concelho de Alcoutim na Amora, penso que em 1986, onde me desloquei a convite da organização e onde ele tinha ido também com o Dr. João Dias.
Recordar aqui este alcoutenejo é uma pequena e justa homenagem que lhe prestamos.
Nota Breve
Agradeço à Família, nomeadamente a sua filha Odília e viúva D. Cesaltina, a colaboração prestada."
http://alcoutimlivre.blogspot.com/2009/11/recordar-um-alcoutenejo-joao-baltazar.html

- Festa de Alcoutim


Há festa no concelho!
Começa hoje, quarta-feira dia 9, e prolonga-se até domingo, dia 13, a Festa de Alcoutim.
A programação é diversificada, desde torneios de cartas, voleibol ou futebol, animação de rua, jogos tradicionais, bailes, espectáculos musicais e a já famosa discoteca no cais para animar pela noite dentro.

Programação completa no cartaz acima publicado. Clique na imagem para visualizar num formato maior.

- A figueira-da-índia

A figueira-da-índia, também conhecida por figueira-da-barbária, tuna ou piteira (Opuntia ficus-indica), é uma espécie que se encontra um pouco por todo o lado, nos montes do concelho de Alcoutim. O seu fruto, o figo-da-índia ou figo-de-tuna, era antigamente dado como alimento aos porcos, motivo esse que leva a que, nos dias de hoje, se vejam estes cactos de grandes dimensões a galgar os muros das antigas pocilgas.

As piteiras atingem grandes alturas, podendo chegar facilmente aos 3 ou 4 metros. Os seus troncos são grossos, os ramos clorofilados achatados de cor verde com picos e as suas flores são de cor alaranjada.

Originária da América tropical, a sua introdução na europa ter-se-á devido a fins ornamentais e aos seus frutos comestíveis. É uma espécie exótica, considerada invasora em muitos locais do mundo e em alguns locais do nosso país.
Os seus frutos são suculentos, amarelos-alaranjados, mas com uns espinhos pequenos e muito finos. Para retirá-los, a melhor técnica (aprendida em Alcaria Alta, com os meus avós) é colocá-los num balde ou alguidar e varrê-los energeticamente com uma vassoura de palha. Quando comidos quentes, "fazem mal à barriga", segundo a mesma fonte, devendo por isso ser colocados no frigorífico se forem colhidos à hora do calor.

As suas propriedades medicinais são conhecidas, sendo indicada para problemas de saúde tão diversificados como afecções das vias respiratórias, asma, diabetes, diarreia, dores reumáticas, entre outros. Externamente, utiliza-se no eczema, psoríase e dores musculares.

- Tia Maria Teixeira


A Tia Maria Teixeira, irmã do meu (infelizmente já falecido) avô João, vive há vários anos em Lisboa, junto da filha, mas vem a Alcaria Alta regularmente. Desta vez, a vinda à terra tinha um gostinho especial, pois iria ver a sua casa nova, que foi restaurada este ano. Ficou encantada ao ver a sua casa moderna, com todas as comodidades, confortável e bonita. No entanto, esta alegria durou pouco pois, passadas umas horas, deu uma queda e partiu uma perna. Foi transportada de imediato para o hospital, onde foi operada, encontrando-se agora a recuperar. Espero que esta recuperação seja rápida, que possa em breve voltar para umas férias em Alcaria Alta e usufruir da sua casa nova.
À Tia Maria Teixeira os votos de rápidas melhoras e o desejo de vê-la em breve no monte.

(Foto tirada em 2005, ao lado da casinha do forno)

- Referência a Alcaria Alta

Não podia deixar de fazer referência a uma entrada, no blog Alcoutim Livre, sobre Alcaria Alta, de seu título "Alcaria Alta foi o mais importante monte da freguesia de Giões", no qual o sr. José Varzeano descreve informações muito interessantes, algumas para mim desconhecidas, acerca do monte que dá nome a este blog. E até tem uma foto da "Casa do Monte" :)

- A Casa do Monte


A nossa última ida ao monte foi dedicada à pintura, bricolage e decoração. Como está muito calor para andar de bicicleta e este ainda se faz sentir com maior intensidade no interior da serra algarvia, tirámos um fim-de-semana para nos dedicarmos à Casa do Monte. Assim, acordámos cedo e deitámos mãos à obra. Começámos por pintar as tradicionais barras azuis e dar um ar mais típico e colorido à casa caiada de branco. Numa altura em que se começa a ver, um pouco por todo o monte, as barras azuis, amarelas ou verdes serem substituídas por azulejos que nada têm a ver com a traça original, nós, que temos tanto de modernistas como de tradicionalistas, optámos por seguir esta última corrente...
Com as barras praticamente concluídas, apenas a precisar de uns retoques, e o calor do meio-dia a começar a apertar, dedicámo-nos ao interior da casa.


Começámos pela arrecadação dos fundos que tinha tanta tralha e estava tão desarrumada, que mal se podia entrar. Arrumámos tudo aos cantos, libertámos montes de espaço e ainda encontrámos diversos objectos antigos que utilizámos para redecorar a sala: panelas e alguidares de barro, potes, candeeiros a petróleo, cântaros, entre outros.


Arrastámos móveis, mudámos objectos de local, deitámos lixo fora, arrumámos arcas de madeira, descobrimos e redescobrimos imensas coisas.


Por fim, ainda demos uma ajudinha à parreira que cresce ao lado da casa e estava caída ao lado do poste. Com uns parafusos e um arame orientámo-la em direcção ao telhado da casa para ir subindo para o lugar que sempre foi o dela.
Foi um dia de grande trabalho, feito com enorme prazer, no qual transformámos a casa do monte num local mais bonito, acolhedor e confortável.

O antes:

e o depois:

- O pastor do Viçoso

.Depois de visitarmos o Viçoso, descemos o monte e avistámos um enorme rebanho de cabras. Como elas estavam a ocupar uma boa parte do caminho e dirigiam-se na nossa direcção, parámos um pouco para não as assustar e aproveitámos para tirar umas fotos.
O pastor estava debaixo de uma árvore a abrigar-se do calor que se fazia sentir e, ao ver o rebanho a subir o monte, teve de deixar o seu posto para tentar apanhar as cabras que se dispersavam.
Tratava-se do Sr. António Madeira, que vivia em Giões e vinha para ali pastar o seu rebanho, diariamente. A conversa desenrolou-se e acabámos por saber que tinha sido o último habitante do Viçoso.
Há 34 anos, quando faleceu o último membro de uma outra família da aldeia, o Sr. António e a família decidiram mudar-se para Giões, a sede da freguesia, terra da sua esposa, e abandonar o isolamento a que ficariam votados se permanecessem no Viçoso…
E assim fomos informados de que o monte do Viçoso está desabitado há 34 anos, altura em que os montes ainda nem electricidade tinham, pois não se vê um poste ou uma instalação nas casas.
Foi curioso encontrar o Sr. António Madeira, o habitante que migrou para outro local mas que, diariamente, vai pastar o seu gado para as imediações do monte que o viu nascer e onde viveu a maior parte da vida…
Na nossa conversa não ficámos a saber a idade do pastor do Viçoso, mas disse-nos que era da idade do meu avô, que tinha conhecido muito bem, ou seja, andará pelos oitenta e dois ou oitenta e três. O que é de louvar é que, apesar da idade, aparenta estar “viçoso” e continua a adiar o dia da reforma.

Depois da conversa e das cabras novamente sob a sua alçada, o Sr. António voltou para debaixo da árvore, as cabras puseram-se a pastar à sua volta e nós seguimos caminho...

- Imagens do percurso do Viçoso

Os momentos são muitos, ficam apenas alguns que marcam um percurso com uma grande riqueza cultural e natural...

- O percurso do Viçoso

Nas nossas idas ao monte, um dia é sempre dedicado aos passeios de bicicleta. Desta vez decidimos fazer um dos oito percursos do concelho de Alcoutim: o percurso do Viçoso.
O percurso inicia-se em Giões, seguindo pelo caminho que leva ao lavadouro público. Está bem sinalizado e basta seguir as indicações para fazer os 3 km até ao monte do Viçoso, que lhe dá o nome.
O Viçoso é um dos mais fortes testemunhos da desertificação do concelho de Alcoutim e do interior algarvio. É uma aldeia completamente desabitada, com casas de xisto em ruínas, alguns resquícios de cal branca e vários telhados caídos.

A vegetação invadiu as casas, os caminhos de pedra, os fornos e os muros que resistem no tempo. A espécie invasora por excelência é a figueira-da-índia, um enorme cacto de troncos grossos que se encontra um pouco por todo o lado.O seu fruto, o figo-da-índia, era um dos alimentos que antigamente se dava aos porcos. As sementes por lá ficaram e, hoje em dia, crescem desordenadamente nas antigas pocilgas há muito desabitadas.

Como já tínhamos feito uns 8 km (Alcaria Alta - Giões - Viçoso) e o pequeno almoço já lá ia, sentámo-nos numas pedras debaixo de uma amendoeira para merendar antes de voltar à estrada. De frente para as casas abandonadas, conversámos sobre as pessoas que ali teriam vivido e imaginámos os tempos em que o Viçoso fazia jus ao nome...
Descemos o monte e passámos por um enorme rebanho de cabras que já tínhamos avistado ao longe. Em conversa com o pastor ficámos a saber que, juntamente com a sua família, foi o último habitante do Viçoso. Este curioso episódio ficará para contar posteriormente, num texto a ele dedicado.

O percurso ia no início e ainda tínhamos muitos quilómetros de subidas e descidas pela frente. Seguímos caminho por entre os montes de vegetação já seca, sob o calor de Maio que já apertava, em direcção a Farelos, a povoação que se seguia.
Fomos passando por pequenas ribeiras que já nem corriam e das quais restavam apenas alguns charcos, no entanto, ricos de fauna e flora. Ao aproximarmo-nos, dezenas de rãs saltavam para a água à nossa frente.

Avistámos o monte de Farelos, que se erguia lá no alto. A subida até à povoação é uma das mais íngremes de todo o percurso que, no geral, é de dificuldade moderada.
Chegámos estafados e, como era a hora do calor, não se via vivalma. Fomos passando pelas casas caiadas de branco de portas e janelas fechadas até que avistámos umas botijas de gás e uma caixa de correio junto a uma porta que parecia aberta, por trás das fitas verdes.

Entrámos no café-mercearia onde a senhora proprietária nos serviu água fresquinha e gelados. Apesar de ser uma aldeia pequena, várias pessoas entravam e sairam do estabelecimento. Um senhor que estava a beber café quando chegámos, uma menina que comprou dois gelados, um pedreiro que devia andar a trabalhar e foi buscar uma cerveja e uma coca-cola, entre outros fregueses...
Continuámos em direcção a Clarines, a povoação que fica mesmo ao lado de Farelos. Mais uma vez não vimos ninguém nas ruas e parámos numa fonte para beber água e encher as garrafas.

Seguimos por um caminho de terra batida e acabámos por nos desviar um pouco do percurso. Fomos na direcção que nos parecia ser a que levaria a Giões e acabámos por andar uns quilómetros perdidos, apesar de não ter sido em vão, porque a paisagem era igualmente interessante.
A certa altura, encontrámos uma estrada alcatroada e demos connosco de volta ao percurso, pois era a estrada de Clarines a Giões, onde este terminava. Como a estrada vai dar precisamente ao café Poço Novo, fizémos mais uma paragem para retemperar forças para a viagem de volta a Alcaria Alta...

Informações:

Percurso pedestre/BTT do Viçoso (pdf)

Percursos pedestres/BTT do concelho de Alcoutim

- De bicicleta até ao Vascão

O tempo é algo cada vez mais precioso e temos feito os possíveis por aproveitar os dias de folga. Assim os dias de carnaval foram aproveitados para mais uma ida ao monte e um percurso de alguns quilómetros a pedalar e a caminhar.
Depois de um pequeno-almoço reforçado saímos de Alcaria Alta, monte abaixo até Giões, onde fizémos uma paragem no café Poço Novo para beber um café. Depois seguimos na direcção norte até à Ribeira do Vascão. Como as ribeiras correm sempre em locais baixos, foram vários quilómetros a descer, em que o principal pensamento era " quando tivermos de subir em sentido contrário é que vai ser a doer..."
Depois de passarmos por vários montes começámos a vislumbrar a ribeira, que corria cheia de água, em direcção ao Guadiana. Depois de um inverno chuvoso como o deste ano, outra coisa não seria de esperar...

A Ribeira do Vascão é um dos principais afluentes do Rio Guadiana. Divide os concelhos de Alcoutim e Mértola, marcando a fronteira entre o Alentejo e o Algarve.
Deixámos as bicicletas presas a uma árvore, junto à ponte, e seguimos ribeira abaixo a pé, usufruindo da sua riqueza paisagística. A Primavera estava a chegar e por todo o lado se via vegetação verde e flores variadas, nomeadamente a flor da esteva, que povoa os montes, e as amendoeiras em flor, tão características do nosso Algarve.

A caminhada durou cerca de hora e meia, após a qual fizemos uma pausa para descansar e retemperar forças com uma merenda à beira da água. Antes do caminho de regresso ainda nos divertimos um bocado, a fazer saltitar pedrinhas na água que davam 5, 6 ou 7 saltos e saltavam novamente para fora de água na outra margem. Dentro de nós existiu, existe e existirá sempe uma criança...! :)
Procurámos um local onde a ribeira era mais estreita para atravessá-la e fazer o percurso inverso na outra margem. Apesar de a travessia ter durado poucos segundos, deu para sentir a água gelada até aos ossos...

Passámos pelos moinhos de água do concelho de Mértola que já tínhamos avistado na outra margem. Primeiro o Moinho do Alferes, que esteve em funcionamento até à década de sessenta e foi recentemente recuperado para ser utilizado em actividades de sensibilidade ambiental.
Chegámos depois ao Moinho das Relíquias, que fica junto à ponte sobre a ribeira. Este moinho está em ruínas, bem como a casa anexa. No entanto, estava aberto e foi-nos possível ver o engenho por dentro, onde ainda se encontravam algumas mós.

Chegados novamente ao local onde tínhamos deixado as bicicletas, sentámo-nos junto à ponte a descansar um pouco antes da grande subida de volta, tirámos uma última foto e partimos rumo a Alcaria Alta.

- O mamarracho


A arquitectura tradicional das aldeias do interior algarvio caracteriza-se pelas construções em xisto caiadas de branco, pelas chaminés decoradas, pelas barras coloridas que emolduram as portas e janelas e, essencialmente, pelas construções térreas, com apenas um piso de tal forma baixo, que temos de nos curvar para transpor as portas.
Foi com grande surpresa que, há uns tempos atrás, me deparei com uma construção, lá para os lados do Reguengo, composta por rés-do-chão, primeiro e, como se não bastasse, segundo andar!
Eis que se ergueu, imponente, colada às outras pequenas casas por todos os lados, menos pela fachada...
Uma construção que veio descaracterizar completamente uma aldeia típica, cujas casas seguiam uma traça há muito instituída por aqueles que as foram construindo ao longo dos tempos. Infelizmente o mesmo tem acontecido noutros locais do concelho de Alcoutim, como pude constatar, recentemente, no Montinho das Laranjeiras. 
As casas destas aldeias só deviam ser restauradas de acordo com a sua construção original.
Duas questões se colocam: esta obra foi aprovada pela câmara ou foi feita sem nunca por ali ter passado um fiscal municipal? De qualquer forma, as coimas costumam compensar e a demolição raras vezes é posta em prática...
Devia ser seguido o exemplo de outros locais do interior do país que se têm esforçado por preservar o património das aldeias típicas, como é o caso do Programa das Aldeias do Xisto que engloba 24 aldeias de 14 concelhos da região centro.
Isto sim seria um exemplo a seguir, seria uma forma de promover o turismo local de um concelho desertificado que busca o desenvolvimento sustentável, mas que só o poderá ser se essa sustentação for feita com base na preservação do património.
Estive há uns dias em Alcaria Alta e pude constatar (valha-nos ao menos isso) que a dita construção foi pintada de branco com barras azuis. Do mal o menos, poderiam ter optado pelo salmão ou amarelo, como se tem visto no litoral, que também já teve dias mais brancos...